E então o céu nublado! Daqueles que você olha pensando em como seria bom um pouco de sol para iluminar a escuridão. O sentimento de inutilidade dentro de cada pessoa que precisa de um pouco da luz solar para cumprir com suas obrigações diárias, a correria para tirar as roupas do varal e realocá-las em um lugar coberto, janelas se fecham para que a água não entre com muita força, os animais procuram locais para se abrigarem e o medo de que seja uma chuva extremamente forte assola toda a pequena vila ao redor do castelo. É perceptível a diferença na vida do rei com a dos súditos, enquanto seu castelo de pedras está firme e forte no chão, grande, poderoso e protetor, as mães chamam os filhos para dentro de suas casas simples, algumas feitas de madeira, outras de palha, tronco e barro, outras poucas são decoradas com pedras e barro para, também, fortalecer a guarnição dos moradores.
Taurus observa a chuva chegando pelas pequenas barras da cela, escura, quente, percebe que não ficaria ali por muito tempo por não haver algo que servisse de cama e nem um balde, ou um buraco no chão com serragem, que pudesse usar para necessidades fisiológicas. E o terrível pensamento de que tivesse de usar o chão para as duas coisas lhe veio à mente. "Logo os Hass irão em encontrar", pensou, silenciosamente. E um guarda apareceu, era forte e usava um uniforme vermelho, calça e botas pretas, a espada na bainha dava-lhe o poder necessário para convencer qualquer um a lhe obedecer. Abriu a porta da cela e disse ao menino que o rei queria vê-lo. Outros dois guardas o levaram ao salão do trono, de mãos atadas com uma corda que pinicava, foi ajoelhado aos pés do governante de Diama. Olhou ao redor e viu as pinturas de batalhas travadas em toda a história do reino, imagens dos antigos reis e déspotas que ocuparam o lugar mais poderoso, o teto era repleto de belas mulheres completamente nuas em um bosque com borboletas e leoas. As colunas de rochas protegiam o trono, feito ouro e acolchoado com almofadas pretas.
E lá estava, o rei, usava uma roupa parecida com a dos guardas, mas bem detalhada, fios de ouro foram usados para formarem linhas por todo o dorso, chegando ao pescoço. Vestido com o preto mais denso que Taurus já viu na vida, nem as noites de inverno chegavam perto. A capa pendia no encosto do trono, com plumas brancas e o tecido da cor de vinho. A coroa, cravejada de rubis ressaltando os olhos castanhos do rei, os cabelos de tamanho intermediário, loiros, o rosto fino e o porte físico de um soldado de guerra.
"Soltem-no", disse, com sua voz grossa e forte. Um dos guardas desatou os nós das mãos do menino, coçou os pulsos por conta da corda.
"Onde está minha mãe?", perguntou
"Deve pedir permissão para se dirigir ao rei, traidor imundo!", gritou-lhe um dos guardas
"Eu o chamei aqui para conversar, aos outros nenhum interferência será necessária, saiam todos", e todos os guardas deixaram o salão do trono "Sua mãe está em um de meus aposentos do castelo, não a fizemos nenhum mal"
"E por que fui colocado em uma cela?"
"Você é um enorme perigo ao meu reinado, não sua mãe. A profecia diz que um homem alado está predestinado a me matar, pelo que estou vendo, você é apenas um garoto e... sem asas"
"Então acha que sou a pessoa errada?"
"Estou convencido a acreditar nesta hipótese"
"Liberte-me, enfim, a mim e minha mãe"
"Não é tão simples assim, pobre garoto"
"O que é simples para você, é grandioso para mim"
"Veremos - gritou alto - chamem o corvo!", após alguns minutos um pequeno homem magro, vestindo roupas pretas com penas e uma taça na mão direita entrou no salão. Fez uma reverência e andou em direção ao rei.
"Ah, este é o traidor, esperava mais de você", disse ele com desdém.
"Estás correto, esperava mais. Quem sabe um par de asas. - gritou novamente - guardas!", cerca de cinco homens com suas espadas em mãos entraram correndo no salão e foram em direção à Taurus, mas o rei gritou antes que chegassem: "Peguem o corvo!", e eles o agarraram e apontaram suas armas para seu pescoço. "Quem é o verdadeiro homem da profecia?"
"Este garoto é o homem", disse o homem amedrontado.
"Você me contou uma profecia que se refere a um homem com asas, este menino mal chega a ser um homem feito e não vejo asas em suas costas. Você mentiu para mim! Prendam-no!", e então o homem transformou-se em corvo e voou em direção ao rei que estava de pé, ele jogou-se ao chão e o viu subir para uma das claraboias, tornou a virar homem, quebrou o vidro e depois voou para fora.
O rei levantou, deu ordem aos guardas para libertarem Taurus e sua mãe. Um dos guardas sai para buscá-la. As grandes portas se fecham e logo se abrem com vários pássaros entrando de uma só vez, voam perto do teto e descem um a um adquirindo forma humana. Todos as espécies de aves voadoras estavam presentes, o único corvo desceu e tomou a forma de Loriah. Um falcão voou ao seu lado e pousou transformando-se em um homem forte, de olhos azuis, usando roupas de um marrom escuro e uma capa de penas com garras nos ombros e uma coroa de plantas na cabeça. Ele fez um aceno para que o menino fosse ao seu encontro, e ficou entre ele e o capitão da guarda. O guarda do castelo voltou com Oria que correu para abraçar o homem falcão.
"Quem são vocês?", perguntou o rei. E o homem lhe respondeu:
"Meu nome é Orus Hass, esta é a Legião dos Pássaros. Viemos resgatar o menino e tomar o reino!"
Continuação: 22 de março